A Tijuca abriu suas portas no sábado dia 12 com um café da manhã delicioso. Estiveram presentes, amigos, familiares e alunos novos.
Abram alas que o Supera Tijuca vai passar!
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Sidarta Ribeiro é Ph.D. em neurobiologia pela Universidade Rockefeller e pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN). Fez pós-doutorado na Universidade Duke (2000-2005) investigando as bases moleculares e celulares do sono e dos sonhos e o papel de ambos no aprendizado. |
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A depuração das memórias e o uso constante da mente e do corpo são a melhor terapia para combater doenças degenerativas do envelhecimento. |
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por Sidarta Ribeiro |
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Poucas coisas são mais deploradas na cultura ocidental quanto o envelhecimento, sinônimo de fragilidade física e decadência mental. De fato, as grandes mudanças corporais que a idade traz são muitas vezes seguidas por doen-ças neurodegenerativas que terminam por conduzir à demência. Uma delas, o mal de Alzheimer, se caracteriza pelo acúmulo cerebral de neurofibrilas e placas compostas por proteínas tau e peptídeos beta-amilóides, respectivamente. A imunização contra peptídeos beta-amilóides é uma das possibilidades de cura para essa doença (Monsonego e Weiner, 2003, Science 302: 834-838). Eis aqui a chave do enigma: a grande, incalculável riqueza do envelhecer é a depuração extrema dos pensamentos e atos. Não apenas carregar mais memórias, e sim memórias melhores. Por ser uma propriedade do tecido nervoso, essa depuração pode ocorrer em representações mentais de qualquer tipo, em qualquer ofício humano, a despeito do enfraquecimento de músculos e ossos. Quem duvidar que observe o jogo fabuloso dos legendários João Grande e João Pequeno, mais antigos e respeitados mestres da capoeira de Angola ainda em atividade, praticantes há quase 60 anos da fina arte de mestre Pastinha. Homens idosos e brilhantes que facilmente derrotam qualquer jogador mais novo, por mais robusto que este seja, com o supra-sumo da arte de se mover.
Sidarta Ribeiro é Ph.D. em neurobiologia pela Universidade Rockefeller e pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN). Fez pós-doutorado na Universidade Duke (2000-2005) investigando as bases moleculares e celulares do sono e dos sonhos e o papel de ambos no aprendizado. |
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Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para a alimentação natural, bem-estar e qualidade de vida.
A mente anda cansada, com preguiça de pensar, planejar e aprender?
E pior, vive dando brancos: para onde estou indo mesmo? Sei que tenho que comprar algo... Caramba, esqueci a panela no fogo! Qual é mesmo o nome daquele ator?
Bem, isto é sinal de que você está esquecendo de colocar alguns alimentos no prato. Afinal, um cérebro saudável e vivo, depende de uma alimentação consciente e vitalizante.
Que o consumo de peixes faz bem à manutenção das células cerebrais todo mundo já sabe. Mas os neurobiólogos não param de realizar estudos, e a lista de alimentos que fortalecem as funções cerebrais fica cada vez mais focada para o mundo dos vegetais frescos e integrais.
É nas frutas, por exemplo, que se encontra a fisetina - mais precisamente no morango, pêssego, uva, kiwi, tomate, maçã e também na cebola e espinafre. Segundo o Instituto Salk, na Califórnia (EUA), essa substância vem sendo considerada fundamental para manter a memória “jovem”, porque sua função é estimular a formação de novas conexões entre os neurônios (ramificações) e fortalecê-las.
O fenômeno pode ser explicado pelo fato destes vegetais, quando integrais, frescos e crus, estão concentrados de compostos antioxidantes, que neutralizam os danos dos radicais livres no cérebro, melhorando a juventude e sanidade das suas células. A capacidade delas se comunicarem com todas as partes do organismo e de armazenarem informações.
Além disso, encontramos na fração oleosa das sementes, grãos integrais e na gema do ovo, uma grande gama de substâncias que são muito amigas do cérebro. Vamos conhecê-las:
Zinco, Selênio, Ferro e Fósforo - sais minerais que participam de inúmeras trocas elétricas e mantêm o cérebro acordado e ativo (elétrico). Presente em todas as sementes e grãos, em raízes e nas folhas verde escuro.
Vitamina E - poderosa ação antioxidante. Presente em todas as sementes e grãos, como também em óleos vegetais prensados a frio.
Vitamina C - famosa ação antioxidante. Presente nas sementes frescas e cruas que foram pré-germinadas, assim como na maioria das frutas.
Vitaminas do complexo B - regulam a transmissão de informações (as sinapses) entre os neurônios, presente nas sementes e nas fibras dos alimentos integrais.
Bioflavonóides - são polifenóis com forte ação antioxidante. Além das sementes são encontrados também no limão, frutas cítricas, uva e nas folhas verde escuro.
Colina - participa da construção da membrana de novas células cerebrais e na reparação daquelas já lesadas. Presente na gema do ovo e em todas as sementes e grãos (predominância na soja), como também em óleos vegetais prensados a frio.
Acetil-colina - um neurotransmissor, fundamental para as funções de memorização no hipocampo. Presente na gema do ovo e em todas as sementes e grãos (predominância na soja), como também em óleos vegetais prensados a frio.
Fitosteróis - estimulante poderoso do sistema de defesa do organismo, reduzindo proliferação de células tumorais, infecções e inflamações. Presente em todas as sementes e grãos, como também em óleos vegetais prensados a frio.
Fosfolipídeos entre eles a Lecitina - funcionam como um detergente, “desengordurando” todos os “sites” por onde passa. Além disso, participam na recuperação das estruturas do sistema nervoso e da memória. Presente em todas as sementes e grãos (predominância na soja), como também em óleos vegetais prensados a frio.
Ômega-3 – funciona como um antiinflamatório poderoso, evitando a morte dos neurônios. Existem somente três fontes: os peixes de águas frias e profundas e as sementes de linhaça e prímula.
NÃO ESQUEÇA DE TER SEMPRE NA DESPENSA
Sementes cruas e sem sal: linhaça, gergelim, girassol, abóbora, castanha do Pará, castanha de caju, noz pecã e macadâmia. Lembre das sementes da melancia, do pepino e do melão.
Óleos: azeite virgem ou aqueles que são prensados a frio – linhaça, girassol, gergelim e soja. Lembre do famoso óleo de fígado de bacalhau.
Leguminosas: soja, ervilha, lentilha, grão de bico, feijão branco, azuki e os demais.
Frutas: limão e as demais cítricas, uva, maçã, kiwi, pêssego, morango e demais frutas vermelhas (amora, cereja), abacate, tomate e azeitona.
Cereais integrais – arroz, trigo, aveia e centeio, como também o germe de trigo.
Verduras: todas as folhas de cor verde escura, como todas as couves (manteiga, brócolis, flor), a bertalha, a espinafre e a folha da beterraba.
Legumes: principalmente os de cores vivas como a cenoura, a beterraba, a abóbora e no meio deles a cebola e a cebolinha.
Se você não é vegetariano, lembre-se que os peixes não devem faltar quando o propósito é cuidar do cérebro, da capacidade de se concentrar e da memória. Os mais interessantes são os de água fria, ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, anchova, atum, arenque e cavala.
Os Alimentos Neuroprotetores
São os agentes antioxidantes, como os bioflavonóides e carotenos, presentes nas frutas cítricas, na uva (principalmente as escuras), nas frutas vermelhas (morango, amora e cereja) e laranjas (pêssego, caqui, mamão, manga e damasco) e na maçã. Quanto às hortaliças, insista nas de folhas escuras, como as couves, a bertalha e o espinafre. Nos legumes: a abóbora, a cenoura e a beterraba.
A vitamina E (tocoferóis) está presente nas sementes e nos óleos vegetais prensados a frio, como o de soja, linhaça e girassol, assim como no germe de trigo. Óleos vegetais refinados são pobres de micronutrientes de valor terapêutico.
Entre os minerais, as revelações são o zinco - encontrado em doses generosas na semente de abóbora, no iogurte e nos cereais integrais; e o selênio, que está concentrado na castanha do Pará e em menores doses nos grãos integrais, na cebola e no alho.
Por fim, o ômega-3 dos peixes de água fria, que também protege os neurônios. Mas ele está presente em altas doses na semente de linhaça e no seu óleo prensado a frio.
Os Alimentos Regeneradores das células
A colina e a lecitina, substâncias fartamente encontradas na fração oleosa da soja e na gema do ovo, têm papel fundamental na composição da membrana gordurosa que reveste os neurônios. E, haja colina, pois as funções cerebrais de aquisição e armazenamento de novos dados, exigem mais intensamente pela formação de novas células. Bem, não dá para sair comendo ovo em excesso, mas é possível fazer uso diário de suplementação alimentar com a lecitina isolada de soja (1 grama/dia).
Elas estão presentes também, mas em menor concentração, no germe de trigo, nas leguminosas e no levedo de cerveja. Está provado que o consumo de alimentos que contêm colina durante a gravidez e na fase de aleitamento influi beneficamente no desenvolvimento cerebral da criança.
Os Alimentos que Estimulam as conexões cerebrais
Os alimentos deste grupo contêm substâncias que facilitam a comunicação entre os neurônios, aumentando também a capacidade de pensar, se concentrar, aprender e memorizar. É o caso da fisetina, que marca presença nas frutas já citadas.
As vitaminas do complexo B também facilitam a comunicação entre as células e tais substâncias são mais comuns em alimentos de origem animal como as carnes, peixes, aves, vísceras, leite e derivados. Entretanto, nos vegetais como os cereais integrais, sementes, germe de trigo, soja e demais leguminosas, também estão presentes, porém em menor concentração.
Finalmente, o fósforo, que se encontra nos peixes, no germe de trigo e ainda nas sementes de girassol e abóbora.
O QUE COMPROMETE A SANIDADE DO CÉREBRO?
Procure fugir de alimentos que causam picos glicêmicos - eles estouram a taxa de glicose no sangue e no cérebro - como o açúcar (principalmente o refinado), massas e cereais refinados, batata inglesa e doces em geral. Eles elevam a produção de insulina e de ácido aracdônico, fortes responsáveis pelos processos inflamatórios, que aceleram o envelhecimento e morte das células cerebrais.
Metabolicamente, sabe-se que logo após os picos glicêmicos gerados pelo consumo excessivo de açúcar e amidos, é inevitável quadros de hipoglicêmia, que é a queda vertiginosa do teor de glicose no sangue. Tal situação desarticula todas as funções sensoriais do cérebro, assim como a sua produtividade, poder de comunicação interna e armazenagem de dados. Tanto que a reação natural de um cérebro em estado de hipoglicemia é o sono, ou seja, pára tudo.
Evite também as drogas que geram produção massiva de radicais livres como é o caso do cigarro, das frituras, do álcool, do café, dos alimentos muito processados e aditivados. Os radicais livres AMAM destruir neurônios e demais células do organismo.
Por último, evite as frituras e as gorduras de origem animal, que tormam as membranas celulares rígidas e pouco porosas, inviabilizando a fluidez e a qualidade das trocas químicas, tanto de nutrição, como de limpeza orgânica. Uau! Cérebro desnutrido e envenenado.
por Telma Lomba
fonte: http://brasilidosos.wordpress.com/2009/07/15/terceira-idade-e-a-melhor-idade/
A maioria das pessoas ao entrar na terceira idade já está aposentada ou se aposentando, e muitas delas acabam gastando todo seu tempo em atividades que não estimulam nem o corpo e nem a mente. Essa falta de estímulo faz o cérebro desacelerar trazendo problemas de memória, o raciocínio fica lento e acaba-se perdendo contato com outras pessoas, interagindo menos socialmente. E é por isso que muitas pessoas associam terceira idade com velhice e incapacidade de fazer atividades.
O Supera trabalha exatamente nesses pontos, pois a terceira idade deveria ser a fase mais proveitosa da vida. A terceira idade é definitivamente a Melhor Idade, pois a pessoa já trabalhou muito, tem experiência de vida e pode finalmente se dedicar mais ao lazer e atividades que trazem prazer e motivação. E para isso acontecer a pessoa deve estar fisicamente e mentalmente saudável.
Atualmente a expectativa de vida do ser humano tem aumentado, a medicina está mais avançada e as pessoas se preocupam mais com a saúde. No Brasil a expectativa de vida é superior a 72 anos e segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o número de idosos no país já ultrapassa 14 milhões, sendo 8,6% da população total do país. Estima-se que nos próximos anos o número de pessoas da terceira idade corresponda a 15% da população total do Brasil.
Em países desenvolvidos como os Estados Unidos, por exemplo, devido às condições econômicas favoráveis, as pessoas da terceira idade tem uma vida mais confortável aumentando até mesmo a expectativa de vida. Os norte-americanos valorizam a terceira idade e se preparam desde cedo para ter uma velhice confortável, já fazem planos para a aposentadoria. É comum ver grandes grupos de idosos fazendo turismo. A terceira idade em países desenvolvidos é valorizada, as pessoas são disputadas como consumidores e eleitores. Existem diversos serviços voltados especialmente para este público que vem aumentando no mundo todo. No Brasil a valorização, respeito e cuidados com idoso estão apenas começando, mas devido ao crescente no número de idosos no país espera-se que isso progrida em pouco tempo.
Preocupado com isso o Supera desenvolveu atividades voltadas para a terceira idade que ajudam na vida prática dando mais segurança para essas pessoas desempenharem quaisquer funções, seja socialmente, no trabalho ou no dia-a-dia. São turmas especiais e professores altamente capacitados que estimulam e trabalham as diversas habilidades do aluno.
“Eu tinha me aposentado e estava muito parada, ficava em casa o dia todo. Comecei a procurar algo para fazer que fizesse bem e ocupasse a cabeça, e foi aí que achei o Supera. Já estou há dois anos estudando, tento ser o mais assídua possível. Melhorou muito meu dia-a-dia, meu raciocínio, minha concentração, nas tomadas de decisões e para resolver os problemas que surgem.” – Diz a aluna Lydia Lumi Sasaki de 59 anos.
Sete benefícios que o aluno da terceira idade adquire ao estudar no Supera:1- Melhora o raciocínio lógico e o pensamento lateral.| 2- Melhora a coordenação motora. | 3- Melhora a memória. | 4- Previne doenças degenerativas. | 5- Melhora a auto-estima. |6- É uma ocupação saudável nas horas de lazer e traz qualidade de vida. 7- Promove a interação social.
As aulas no Supera tem duração de duas horas semanais e o curso todo varia de um a três anos, dependendo do desenvolvimento individual. As ferramentas utilizadas são: – Aritmética Mental através do Ábaco – Desenvolve o raciocínio lógico e pensamento lateral, aumenta a velocidade de raciocínio, melhora a coordenação motora e a concentração.
- Desafios Lógicos e Jogos – Trabalha o cérebro de diversas formas, aumentando a capacidade de absorção de conteúdo, ajuda a enxergar novos caminhos e soluções para problemas.
- Neuróbica (Ginástica para o cérebro) – Desenvolve o cérebro trabalhando partes menos utilizadas. Os exercícios podem ser feitos também em casa.
- Dinâmicas em grupo – Tem o intuito de desenvolver no indivíduo a liderança, capacidade de expressão, segurança, auto-estima e relacionamento interpessoal – competências fundamentais para uma vida plena e feliz.
Supera não é apenas exercício para o cérebro, é trazer benefícios reais para a vida prática, é cuidar da saúde mental, física e emocional para que as pessoas possam desfrutar plenamente a Melhor Idade.
Cai DJ et al. (2009) REM, not incubation, improves creativity by priming associative networks. Proc Natl Acad Sci USA doi 10.1073
Foi em seus sonhos, quando viu uma cobra mordendo seu próprio rabo, que o químico Friedrich Kekulé atinou que a estrutura do benzeno era provavelmente cíclica. Foi também em seus sonhos que o neurocientista Otto Loewi desenhou o experimento que demonstraria que os nervos liberam substâncias químicas quando acionados.
Anedotas que relacionam os sonhos à criatividade - a idéias novas, a soluções inusitadas para problemas antigos - não faltam. Mas qual é de fato o papel dos sonhos para a criatividade?
"Permitir o uso de informações prévias na resolução criativa de problemas", segundo estudo do grupo de Sara Mednick, da Universidade da Califórnia em San Diego, publicado em maio de 2009 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences USA.
O grupo avaliou o desempenho de voluntários em um teste de criatividade repetido antes e depois de uma soneca, ou descanso sem sono por um mesmo período. O teste é simples: para cada três palavras aparentemente não relacionadas, é preciso fornecer uma quarta palavra que se relacione com as três anteriores. Para as palavras "mate, cadeira, bule", por exemplo, cabe a palavra "chá" (chá-mate, chá de cadeira, bule de chá).
Se, logo após o primeiro teste de criatividade, os voluntários faziam uma segunda tarefa com palavras não relacionadas, que não serviam como respostas ao teste de criatividade, o desempenho na repetição desse teste melhorava cerca de 30%. Dormir não era necessário; a simples passagem de tempo bastava. É o que se chama de "incubação": dê tempo ao cérebro, SEM pensar conscientemente em um assunto, e ele terá mais chances de encontrar uma saida criativa para um problema.
Mas se após o primeiro teste de criatividade os voluntários realizavam uma outra tarefa de palavras onde as respostas do teste apareciam novamente, o efeito benéfico da passagem do tempo sumia - e o desempenho na repetição do teste, mais tarde, era apenas tão bom quanto na primeira vez.
Para ser capaz de usar criativamente as palavras-resposta vistas na tarefa intermediária, era preciso dormir. Mais precisamente, era preciso sonhar, segundo o estudo. Nesse caso, o desempenho na repetição do teste de criatividade passava a ser 40% maior do que na primeira tentativa.
O benefício não é uma questão de memória melhorada pelos sonhos, pois a capacidade de lembrar de palavras da tarefa intermediária era igual em todos os voluntários, tivessem eles sonhado, apenas dormido ou não entre os testes de criatividade.
Os achados sustentam a hipótese de que durante o "tempo de incubação" o cérebro propaga informações recém-usadas por suas redes. O grupo especula que o período de sonhos seria o mais favorável para tal propagação, oferecendo às redes neuronais que associam palavras uma maior oportunidade de encontrar uma associação incomum entre seus elementos. A razão para essa característica dos sonhos seria a forte ativação colinérgica nessa fase do hipocampo, estrutura responsável pela formação de novas associações, combinada à pouca acetilcolina e noradrenalina no neocórtex. Essa combinação facilitaria a propagação de informações no neocórtex sem a influência do hipocampo. Ou seja: uma livre-associação cortical, sem um "reality-check" do hipocampo, que ao mesmo tempo explicaria a liberdade do conteudo dos sonhos e seu papel como fomentador de soluções criativas.
Sidarta Ribeiro é Ph.D. em neurobiologia pela Universidade Rockefeller e pesquisador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN). Fez pós-doutorado na Universidade Duke (2000-2005) investigando as bases moleculares e celulares do sono e dos sonhos e o papel de ambos no aprendizado
Coletamos ao longo da vida um imenso repertório de memórias em nossas mentes. Pessoas, lugares, eventos, estórias, habilidades variadas e muitos detalhes triviais. Como é possível seguir acumulando informações por tanto tempo, sem confundi-las ou esquecê-las no caminho? Como é possível evocar a textura fina dos fatos passados, muitas décadas depois de sua ocorrência? Que mecanismos permitem-nos modificar lembranças antigas de maneira seletiva, sem causar danos às lembranças associadas? De que matéria resistente e plástica são feitas as memórias?
Sabemos hoje que as memórias residem na vasta rede de células excitáveis que compõem o sistema nervoso, os neurônios. Cada neurônio se interliga a milhares de outros por intermédio de microestruturas chamadas sinapses. São estes minúsculos pontos de aproximação inter-celular que permitem a propagação em cascata da excitação neuronal. Embora a distância sináptica entre duas células seja muito pequena, raramente verifica-se um contato físico direto.
A grande maioria das sinapses apresenta uma separação celular da ordem de 20 nanômetros. Nestes casos, a transmissão da ativação de uma célula a outra é unidirecional e baseia-se na difusão de neurotransmissores, moléculas liberadas por um neurônio pré-sináptico capazes de ativar receptores químicos na célula pós-sináptica. Dependendo dos tipos de neurotransmissores e receptores envolvidos, tal processo pode determinar tanto a excitação quanto a inibição das células pós-sinápticas. Qual é a relação entre a transmissão sináptica e a formação de memórias?
Quando uma sinapse é estimulada com alta frequência, observa-se um aumento subsequente de sua eficácia de transmissão, isto é, a célula pós-sináptica passa a responder de forma aumentada a um estímulo pré-sináptico. Por outro lado, uma estimulação de baixa frequência resulta na redução prolongada da transmissão sináptica. Tais efeitos, conhecidos respectivamente como potenciação e depressão de longo prazo, conferem às sinapses uma memória fisiológica dos eventos recentes. A potenciação de longo prazo permite que sinapses muito utilizadas se tornem mais fortes ao longo do tempo. Da mesma forma, a depressão de longo prazo enfraquece sinapses pouco utilizadas.
Recentemente demonstrou-se que a estimulação de sinapses isoladas causa um fortalecimento local, sem alteração das sinapses vizinhas (Matsuzaki et al., 2004, Nature 429: 761-766). O truque por trás desta façanha tecnológica foi a utilização de neurotransmissores sintéticos que se tornam ativos apenas quando iluminados por lasers de alta precisão. Este método revelou que a estimulação de sinapses isoladas causa uma expansão persistente e tópica do volume pós-sináptico. Esta expansão converte sinapses imaturas, pequenas, fracas e instáveis em sinapses maduras, grandes, fortes e estáveis. Assim, a estimulação de redes neuronais específicas causa modificações morfológicas ao longo de toda a trajetória de ativação sináptica, resultando na estocagem duradoura dos padrões de excitação neuronal aos quais chamamos memórias. Considerando que o cérebro humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios, que cada neurônio tem cerca de 10 mil sinapses, e que cada sinapse pode ser potenciada ou deprimida com várias magnitudes diferentes, não é difícil conceber que nossa estupenda capacidade de memorização reflete o pontilhado combinatorial da codificação sináptica. Que aspecto têm as memórias? Se fossem as telas de um pintor, este seria Seurat.
Pesquisadores investigam a complexa relação entre esforço, motivação e cognição; aparentemente, nosso cérebro confunde facilidade em ler instruções sobre tarefas com a simplicidade de sua execução
Wray Herbert é psicólogo e atualmente é diretor da Associação para Ciência Psicológica, nos Estados Unidos.
Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/quanto_mais_simples_melhor.html
O cartunista americano Rube Goldberg (1883-1970) ficou conhecido por ser o criador das “máquinas de Goldberg”. Cada uma de suas invenções cômicas mostrava um conjunto de instruções complexas para realizar o que deveria ser uma tarefa cotidiana simples. Seu “guardanapo automático”, por exemplo, apresentava 13 passos seqüenciais, envolvendo um papagaio, um acendedor de charutos, um foguete e uma foice – junto com diversos elásticos, tiras e pêndulos. As charges se tornavam engraçadas porque, com bom humor, cutucavam uma ironia fundamental da psicologia humana: não raro, as pessoas tendem a tornar tarefas simples mais complicadas do que o necessário.
Na realidade, o oposto, em geral, também é verdadeiro: as confusas regras de “como fazer” de Goldman podem nos fazer rir, mas também nos deixam exaustos. Se for necessário fazer tudo aquilo para usar um guardanapo, por que tentar? Alguns psicólogos estão muito interessados em descobrir mais sobre a complexa relação entre esforço, motivação e cognição – a facilidade com a qual pensamos sobre tarefas. É possível que a simplicidade (ou complexidade) com a qual uma atividade é descrita e processada, de fato, afete nossa atitude com relação a essa atividade e, por fim, nossa vontade de realizá-la.
Dois psicólogos da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, nos Estados Unidos, decidiram investigar essa idéia em laboratório. O desafio de Hyunjin Song e Norbert Schwarz era conseguir motivar um grupo de universitários de 20 anos a praticar atividade física regularmente. Eles deram instruções escritas aos voluntários para que estabelecessem uma rotina com exercícios regulares, mas utilizaram um método para tornar as orientações de “como fazer” cognitivamente agradáveis ou desafiadoras: alguns alunos receberam as instruções escritas com a fonte Arial, plana e desenvolvida para facilitar a leitura; outros receberam em fonte Brush, que, basicamente, parece letra manuscrita com um pincel japonês, o que dificulta a leitura. Depois que os alunos haviam lido as instruções, os pesquisadores perguntaram a eles, por exemplo, quanto tempo acreditavam que levaria a conclusão das atividades, se fluiria naturalmente ou pareceria não ter fim, se seria chata ou interessante. Eles também questionaram sobre a probabilidade de tornar os exercícios parte de sua rotina.
As descobertas foram surpreendentes: os que haviam lido as instruções em uma fonte simples estavam mais dispostos a realizar a tarefa – acreditavam que duraria pouco tempo e que fluiria de maneira fácil. E mais importante, eles tinham mais vontade de tornar o exercício parte da rotina. Aparentemente, o cérebro dos estudantes confundiu a facilidade em ler sobre os exercícios com facilidade para realizar flexões e abdominais, e essa confusão motivou-os a pensar em uma mudança de vida. Os que brigaram com as pinceladas japonesas não tinham a menor intenção de ir à academia; a leitura, por si só, já os deixou cansados. Song e Schwarz decidiram verificar novamente esses resultados, com outra pesquisa, envolvendo outra atividade: a culinária.
Novamente usaram uma fonte mais clara e outra rebuscada. Mas, nesse caso, as instruções ensinavam a fazer um rolinho de sushi. Depois que os voluntários leram a receita, deveriam estimar o tempo para execução do prato e se estavam ou não inclinados a fazê-lo. Os resultados foram basicamente os mesmos, conforme publicado no periódico Jornal de ciência psicológica: aqueles que leram as instruções com uma aparência mentalmente desafiadora acharam que a tarefa seria demorada e necessitaria de alto nível de habilidades culinárias; os participantes observaram a estranheza da escrita como sendo da própria tarefa e, como resultado, tentaram evitá-la. Já aqueles que receberam informações de forma mais direta ficaram bastante dispostos a ir para a cozinha. Conclusão: o cérebro emprega todos os tipos de truques e atalhos para que o indivíduo atravesse o dia com o mínimo de esforço físico e mental, mas é bom prestar atenção nesses julgamentos automáticos. Se não forem verificados, a tendência de confundir pensamentos e ações pode levar a opções duvidosas, que parecem ser mais fáceis e desejáveis do que de fato são, ou pode afastar de escolhas saudáveis e da exploração criativa.
De órgão a ator social, o cérebro humano é cada vez mais percebido como aquilo que nos define.
Francisco Ortega e Benilton Bezerra Jr. são professores do Instituto de Medicina Social da UERJ e organizadores, junto com o Instituto Max Planck de História das Ciências de Berlim, do congresso "Neurociências e Sociedade Contemporânea".
Nas últimas décadas o cérebro vem se tornando, mais que um órgão, um ator social. O espetacular progresso das neurociências, a popularização pela mídia de imagens e informações que associam a atividade cerebral a praticamente todos os aspectos da vida, e certas características estruturais da sociedade atual têm produzido no imaginário social uma crescente percepção do cérebro como detentor das propriedades e autor das ações que definem o que é ser alguém. O cérebro responde cada vez mais por tudo aquilo que outrora nos acostumamos a atribuir à pessoa, ao indivíduo, ao sujeito. Inteiro ou em partes, surgiu como o único órgão verdadeiramente indispensável para a existência do self e para definir a individualidade. Com isso, o ser humano tornou-se o que alguns definem como "sujeito cerebral".
A importância das neurociências nas mais diversas áreas é objeto de pesquisas diversas que mostram como sua influência não só introduz um tema - a relevância do cérebro para cada disciplina específica - como reorganiza o próprio debate interno. Exemplos interessantes são as coletâneas Ecce cortex (Hagner, 1999) e Hirntod (Schlich and Wiesemann, 2001). Ecce cortex mostra como o cérebro adquiriu significados diferentes em áreas diversas (anatomia, psiquiatria, antropologia, psicologia, psicologia e arte), nas quais vem sendo incorporado como forma de exprimir ou encarnar princípios e programas próprios a cada uma delas. Hirntod ("Morte cerebral") desenha uma história cultural da definição de morte que tem na cessação da atividade cerebral o critério fundamental. A adoção desse critério, longe de circunscrever o debate nos limites do campo médico, fez com que ele ultrapassasse fronteiras disciplinares e culturais, precipitando querelas e análise jurídicas, filosóficas, religiosas, éticas e sociológicas.
Estudos como esses examinam as condições de possibilidades históricas e epistêmicas do surgimento da noção de ser humano como sujeito cerebral, mas não tratam do sujeito cerebral em si. Seu objeto comum é a história dos estudos do cérebro e a análise do seu impacto social, mas só recentemente esses dados têm sido conceitualizados como novo paradigma antropológico.
Um exemplo interessante de pesquisa cujos resultados apontam nessa direção é o trabalho do antropólogo da medicina Joseph Dumit, que examina como a difusão das tecnologias de imageamento ce-re-bral afeta não apenas as noções teóricas do self, mas também a experiência individual da identidade pessoal. Dumit procura mostrar como essas técnicas produzem uma "imagem digital da categoria da pessoa" capaz de mudar a percepção que os indivíduos têm de si próprios mediante o que ele denomina "auto-estilização objetiva". Ao assinalar este efeito, o antropólogo aponta para um processo geral em curso no cenário social atual no qual práticas de si e tecnologias do eu típicas da cultura do individualismo moderno sofrem claro deslizamento de seu centro de gravidade, deixando a interioridade discursiva do self psicológico para se alojar numa interioridade visível, objetiva, representada fundamentalmente pela imagem do cérebro em ação.
Como assinala Fernando Vidal, o sujeito cerebral pressupõe o que o historiador das ciências do cérebro Michael Hagner denominou homo cerebralis. Essa expressão captura a transformação do cérebro ao longo do século XIX de local da alma para órgão do self. A noção do sujeito cerebral também implica a idéia de que o ser humano depende de maneira crucial do sistema nervoso - o que o neurocientista francês Jean-Pierre Changeux chamou "homem neuronal".
Porém, a idéia do sujeito cerebral é mais ampla que a de homo cerebralis ou de homem neuronal. Designa uma figura antropológica - o ser humano como cérebro - com uma diversidade grande de inscrições sociais e imaginárias, dentro e fora dos campos neurocientíficos. Como tal constitui uma das condições de possibilidade de projetos emergentes que visam aproximar as neurociências das ciências humanas para reformular estas com base no conhecimento cerebral. Nas últimas décadas este processo sofreu uma verdadeira explosão, como se pode verificar pelo aparecimento de campos como neuropolítica, neuroteologia, neuroética, neuroeducação neuromarketing, neuroascese, neurofenomenologia, neurofilosofia, neuroeconomia, neuropsicanálise, neuroarte etc.
O cérebro é obviamente crucial para as propriedades que definem a personalidade humana e as trocas sociais, tais como linguagem e consciência. E o avanço das pesquisas empíricas demonstra com informações cada vez mais precisas as bases biológicas e neurais das diversas modalidades da experiência subjetiva. Mas é equívoco supor que a emergência do sujeito cerebral seja resultado necessário do progresso neurocientífico. É a expressão de uma transformação antropológica e sociocultural de maior amplitude, relacionada com o uso crescente de predicados biológicos para definir os indivíduos - processo identificado por termos tais como "biossociabilidade" e "bioidentidades". Desse modo, mais que efeito, o sujeito cerebral é, em grande medida, pressuposto das neurociências modernas.
Na verdade, essa transformação tem raízes antigas. A mais conhecida talvez tenha sido a frenologia, baseada nas teorias do médico vienense Franz Joseph Gall (1758-1828). Ao mesmo tempo estudo das faculdades psicológicas, teoria sobre o funcionamento do cérebro e método para determinar o caráter e as habilidades das pessoas pelo exame das características do crânio, a frenologia empolgou a imaginação cultural de seu tempo, até ser relegada a um ostracismo duradouro pelo descrédito cientifico que sepultou as pretensões de Gall e de seus seguidores (entre eles o tristemente famoso Cesare Lombroso). Gall considerava o cérebro o órgão da mente, composto de faculdades inatas, cada uma delas com localização própria ou pequeno "órgão". O crescimento diferencial desses "órgãos" moldaria o cérebro e, como conseqüência, também a forma do crânio. Assim, a superfície ou "protuberâncias" do crânio revelariam as atitudes psicológicas e as inclinações do indivíduo.
Mesmo se os pretensos órgãos do cérebro resultaram ser imaginários, a frenologia foi o primeiro sistema a atribuir funções para regiões localizadas do córtex cerebral, e algumas de suas premissas foram confirmadas na segunda metade do século XIX, especialmente no que diz respeito às localizações cerebrais e à arquitetura celular do cérebro. Desde então, o pressuposto neurofilosófico de uma correlação entre estados cerebrais e psicológicos nada perdeu de seu fascínio. Pelo contrário, sua atração aumentou graças à difusão de técnicas como o pet scan, que produzem imagens cuja natureza objetiva, dinamismo, aparente legibilidade e apelo intuitivo parecem lhes fornecer o estatuto científico decisivo - que faltava a Gall - para estabelecer a ancoragem cerebral da identidade pessoal.
Mas só nas últimas décadas precipitaram-se as condições para o surgimento dessa nova figura antropológica. Entre elas, o fortalecimento do cientificismo (crença ideológica na superioridade do discurso científico sobre os demais), o apagamento da política e das práticas sociais que consideravam sujeito como autor de sua existência individual e coletiva, a emergência de uma cultura da objetividade que valoriza a imagem em detrimento da palavra e da interpretação, o deslocamento das regras de socialização fundadas na interioridade sentimental em direção a uma cultura da subjetividade somática, a explosão da tecnociência, das biotecnologias e do consumo intensivo de produtos e serviços voltados para a otimização do desempenho biológico como correlato das práticas de si, e assim por diante.
Compreender e analisar a história e as implicações do aparecimento do sujeito cerebral exige uma estratégia que articule disciplinas geralmente dispersas, o que nunca é fácil realizar. O esforço, porém, vale a pena. Afinal, o que está em jogo não é pouca coisa: a discussão sobre o que, afinal, nos define como humanos.
O segredo da aprendizagem reside em nosso cérebro que armazena todas as nossas experiências de vida; emoções; sensações; enfim tudo o que aprendemos na vida.
Nascemos com mais de 100 bilhões de neurônios e com eles vamos até o fim das nossas vidas. Neurônios são as células que impulsionam a atividade cerebral.
Imagine um computador de alta capacidade de armazenagem sem nada lá dentro.
Para que serve ? Qual a sua utilidade ? Ele será muito útil a partir do momento que colocarmos informações dentro dele para utilizá-las quando necessárias. E também este computador devolverá apenas as informações que receber, sem nada criar.
A qualidade da informação dependerá da qualidade do conteúdo que colocarmos nos programas disponíveis no computador.
Com o cérebro ocorre mais ou menos a mesma coisa, com a vantagem que seu limite de armazenagem é inesgotável e você pode processar a informação através da linguagem além de colocar emoção e criar uma forma de comunicação adequada ao seu estilo de viver, pensar e interpretar a realidade.
Quando nascemos, os mais de 100 bilhões de neurônios estão lá, mas ainda sem informações e aprendizagens armazenadas ou memorizadas. Vamos crescendo, vendo, ouvindo, sentindo a realidade e começam as formações das redes neurais de conhecimentos.
Quando LEMOS a APRENDEMOS algo novo, novas redes neuronais são formadas e assim vamos enriquecendo nosso modelo de mundo, ou seja, teremos um maior estoque de informações para serem processadas e colocadas para o mundo exterior nas diversas formas de comunicação: verbal, escrita, corporal e outras manifestações artísticas.
Assim como é bom fazer exercícios físicos para manter a forma, manter o peso, manter um estado geral de saúde, o cérebro também precisa de exercícios para manter a forma e responder rapidamente quando solicitado.
Imagine você sair correndo sem estar preparado ou sem treinar há muito tempo.
Todos os músculos e articulações irão doer por vários dias até você entrar no ritmo.
O mesmo ocorre com o cérebro. Sem uso ele fica preguiçoso e demora para dar uma resposta quando solicitado.
O cérebro adora atividades diferentes porque assim ele forma novas redes neuronais e aumenta o estoque de informações para nos ajudar em todas as decisões.
O segredo da aprendizagem é portanto: ler diversos assuntos, memorizar, aprender algo novo mesmo que seja simples, fazer exercícios físicos, treinar uma nova forma de abordar uma pessoa, treinar no computador, desenvolver um texto simples para treinar a escrever, ouvir músicas e memorizar a letra, treinar cálculos, etc, etc, etc.
Todas estas ações ampliarão a sua rede neuronal porque cada neurônio comunica-se com outros milhares de neurônios ao mesmo tempo.
Portando LER E APRENDER FAZEM BEM PARA O CÉREBRO ASSIM COMO FAZER ATIVIDADES FÍSICAS FAZEM BEM PARA O CORPO.
Vou escrever um pouco que sei sobre memória. Noto que este assunto está muito em voga nos dias de hoje, é um acúmulo de necessidade de saúde com uma ansiedade sobre preservar a memória que algumas pessoas acabam entrando em indigestão cognitiva.
Primeiro vamos escrever sobre o que é memória e cognição.
Cognição
A cognição humana é uma capacidade extremamente desenvolvida. Na espécie humana é quase ilimitada. Temos uma capacidade enorme de captar os estímulos externos e armazená-los.
Cognição engloba raciocínio matemático,linguagem, emoção, motivação, percepção, etc. É tudo o que nos faz ser o que somos, nos caracteriza como seres humanos, individualidade, pessoa.
Em uma visão moderna, a cognição é altamente complexa, em constante estado de movimento e dinâmica e não algo estático e finito. É necessária uma visão globalizada de cognição.
Memória
É o que caracteriza cada indivíduo como um ser único. É o que nos insere dentro da sociedade juntamente com a linguagem, por isso é muito difícil estabelecer fronteiras entre linguagem e memória.
Para termos memória é necessário ter linguagem. Isto pode ser confirmado se pensarmos nas crianças que ainda não adquiriram linguagem verbal. Se perguntarmos a qualquer pessoa se, são capazes de relatar fatos de sua vida aos 2 anos de idade muito provavelmente, iremos receber uma resposta negativa. Isto porquê a linguagem estrutura grande parte da memória.
Memória também não é um local e, portanto não deve ser estudada como tal. Memória é mais uma questão de função do que de espaço.
Ao contrário do que muitos falam, a memória têm uma capacidade ilimitada de armazenar fatos porém basta compreendermos que não há necessidade de guardar tantas informações. Por exemplo: qual a real necessidade de armazenarmos a lista telefônica de endereços, a cotação do dólar nos últimos 10 anos, as variações das ações da bolsa de Nova Iorque, o nome de todos os livros da biblioteca municipal, etc será que vamos precisar de tanta informação??????
Para realmente memorizarmos algo, este deve ter uma conotação emocional. Sem que o fato atinja nossa emoção será completamente incapaz de ser memorizado.
Existe uma diferença clara entre decorar e memorizar. Decoramos aquilo que é “chato” e memorizamos aquilo que é “interessante”.. O que acontece é que não há diferença entre decorar e aprender. A diferença está no objeto e forma em questão.
Existem várias formas de Memória. Vou me abster a explicar apenas algumas delas:
1) MEMÓRIA ULTRA-RÁPIDA
É aquela memória na qual as informações nela contidas são retidas por apenas alguns poucos segundos de 0,5 a 2 segundos. Recebe as saliências do mundo e é dependente das atividades sensoriais.
Ex: você precisa do número de telefone do encanador. Está aflita em resolver o problema. Vai até a agenda, olha o numero e sai correndo para procurar o telefone que está no quarto da filha adolescente, quando finalmente o encontra.......qual é mesmo o número???? Esqueci!!!!
Não caia no desespero de dizer que não têm mais a mesma memória de antes, que a idade, que o stress, etc não é nada de fatal!!!! Você é perfeitamente normal bem como sua memória. Mais adiante abordarei o que é perda de memória!!!!! Respire e continue lendo até o final.
2) MEMÓRIA DE CURTA DURAÇÃO
Este tipo de memória garante o sentido e a continuidade do presente. É o que os estudiosos no assunto denominam de “memória de trabalho”.
É a soma do que acabou de acontecer com o que vai acontecer daqui a pouco. Pode ser retida por minutos até horas.
Ex: são 22:00 e você está jantando. Aquilo que você comeu no desjejum as 6:30 da manhã....lembra??? pois é, a resposta está armazenada na memória de curta duração.
3) MEMÓRIA DE LONGA DURAÇÃO
Aqui está o registro do passado autobiográfico e dos conhecimentos do indivíduo.
Vou deixar aqui um pensamento como ilustração: será que este tipo de memória é realmente bom o tempo todo? Será que realmente é bom guardar todos os fatos do nosso passado? Até onde esta memória autobiográfica é saudável?
4) MEMÓRIA DISCURSIVA
Pode ser subdividida em Macro Estrutura e Super Estrutura.
Macro Estrutura – unidade de sentido que qualquer discurso possa ter. Sintetiza o conteúdo de um discurso. Discurso é a unidade comunicativa básica, nos comunicamos através do discurso o qual é uma entidade elástica. Para que ele exista se faz necessário uma unidade de sentidos.
Super Estrutura – é a forma de exposição de um conteúdo. Você pode expor um fato através de uma narrativa, através de um argumento, uma descrição ou um diálogo.
5) MEMÓRIA PROSPECTIVA
É a memória daquilo que ainda vai acontecer como o horário do médico no mês que vêm, um compromisso amanhã, etc.
6) MEMÓRIA RETROSPECTIVA
É a memória daquilo que já passou como o médico que você passou no mês anterior, uma festa da semana passada, etc
7) METAMEMÓRIA
É a memória se debruçando sobre a memória. É o indivíduo memorizando sua memória.
Como foi escrito anteriormente, para memorizarmos é necessário além da conotação emocional extrair a Macro Estrutura de um discurso. Enquanto isso não acontecer a memorização se torna incapaz de acontecer.
Daí, vou deixar uma dica. A melhor forma de estudar e memorizar um determinado conteúdo é fazer resumo. Mas lembre-se, resumir não é o mesmo que amputar. Resumir é exatamente você abstrair a macro estrutura. Ler um parágrafo e transcrever o que você entendeu. Resumir não é pular linhas, retirar uma ou outra palavra, substituir uma palavra por outra homônima.
Memorizar é sintetizar, entender e fixar a macro estrutura.
Se você for um leigo em física quântica e participar de uma palestra sobre este assunto, você até poderá relatar alguns temas abordados, porém, como você não abstraiu a macro-estrutura você não será capaz de me resumir a palestra.
Assim deixo claro o que é memória. Mas a questão que deixa as pessoas ansiosas é o COMO!!!! Como melhorar a minha capacidade de memorização?
Para isso é necessário compreender alguns itens de neurobiologia.
Primeiro tópico: existe uma diferença entre habituação e sensibilização.
Habituação - é uma resposta menor a apresentação de um mesmo estímulo.
Ex. você chega em casa e trás um brinquedo que acabou de ser lançado para seu filho. Este brinca a noite toda com ele e você então, pode assistir ao noticiário sem interrupções. No dia seguinte você faz a mesma tentativa. Oferece o mesmo brinquedo para poder assistir ao noticiário. Porém só consegue assistir metade. No terceiro dia você usa da mesma tática e não consegue nem mudar do canal de desenhos para o seu noticiário. O que aconteceu? Seu filho acabou de se habituar ao estímulo.
Sensibilização – é uma resposta maior a apresentação de um mesmo estímulo.
Ex. você vai ligar seu aparelho de DVD e sofre uma descarga elétrica. Em uma próxima vez que você for ligar o mesmo aparelho você vai se lembrar da descarga elétrica sofrida e ficará receoso de liga-lo. Aqui você está diante de uma sensibilização.
Assim, para você melhorar a sua capacidade de memorização é necessário receber estímulos novos, para que você não seja vítima da habituação nem da sensibilização. Se interar de assuntos que fujam do seu staff cotidiano. Se você for economista aprenda sofre artes. Se for médico busque conhecer o mundo da aviação. Se você for dona-de-casa descubra as possibilidades de acessar a internet. Assim estará entrando em contato com assuntos novos, inviabilizando a acomodação mnemônica.
Além deste adendo, gostaria de finalizar o artigo escrevendo um pouco sobre a importância do sono.
A quantidade deste repouso não tem muita importância o que me atenho muito é quanto a qualidade deste sono. Precisamos fechar os olhos e entrar na fase REM do sono. A fase dos sonhos. A neurobiologia moderna dita que parece ser nesta fase do sono que a produção de neurotransmissores responsáveis pela capacidade de armazenar memória encontra-se em seu estado de maior atividade. Quem não sonha durante uma noite parece estar menos pré-disposto a memorizar com qualidade efetiva os acontecimentos do dia que virá.
Parece que é preciso sonhar para memorizar!!!!!
Portanto sonhe mesmo, sonhe muito, sonhe em demasia porém muito cuidado com o que sonha, pois seus sonhos podem se tornar realidade!!!!!!
| Nelson Cowan é diretor do Laboratório de Memória de Trabalho da Universidade de Missouri, Colúmbia. |
A capacidade de armazenar recordações e “filtrá-las” é uma característica específica de cada indivíduo – uma espécie de “impressão digital”. Não por acaso, a memória de trabalho (ou de curto prazo, que nos permite guardar temporariamente um número limitado de informações, como números de telefones que usamos com certa freqüência, por exemplo) varia consideravelmente de uma pessoa para outra.
De acordo com o estudo sobre esse tipo de memória desenvolvido pelos pesquisadores americanos Fiona McNab e Torkel Klingberg, o processo de seleção das lembranças que devem ser guardadas ou dispensadas pode ser comparado aos dos filtros de spam do computador. O funcionamento dessas “peneiras mentais” situadas nos gânglios basais pode comprometer ou facilitar a lembrança de números, nomes de pessoas, compromissos etc. Filtros ineficientes causam, por exemplo, atividades desnecessárias e excessivas nas regiões cerebrais que “arquivam” as informações da memória de trabalho – as áreas parietais posteriores, situadas ao longo do topo do cérebro em direção ao dorso.
Poderíamos dizer que essas regiões desempenham o papel do disco rígido do computador, mas quando se trata de memória de trabalho, é mais adequado afirmar que sua função não é tanto guardar dados permanentemente, mas sim armazena-los temporariamente da memória à qual temos acesso de forma aleatória. É aceitável fazer um paralelo com a memória RAM (random access memory), já que as informações são mantidas enquanto estão em uso ou poderão ser usadas em breve.
Embora não existam evidências válidas sobre a importância da eficiência de filtragem de itens irrelevantes da memória de trabalho é necessário ter cuidado para não negligenciar a possibilidade de que as diferenças na capacidade de RAM também afetam a memória de trabalho. Se o tamanho da RAM realmente for importante, então a correlação entre seu tamanho e a eficiência de filtragem pode ser imperfeita. Por analogia, as velocidades máximas de sprint e as resistências dos indivíduos podem estar imperfeitamente correlacionadas, mesmo que as duas qualidades dependam de certos fatores comuns, como o estado geral de saúde.
| De fato, existem evidências de que a capacidade de armazenamento da memória de trabalho é mais importante do que se supunha há alguns anos. Em 2005, os pesquisadores J. Jay Todd e René Marois, da Universidade Vanderbilt, mostraram que a atividade cerebral nas áreas parietais posteriores – RAM da memória de trabalho – tinha relação com o desempenho mnêmico. Em uma pesquisa de 2006 realizada com adultos de um grupo de controle e pacientes esquizofrênicos, o pesquisador J. M. Gold e colegas testaram a memória para os itens sobre os quais os indivíduos recebiam a informação que poderiam ignorar. Em comparação com os indivíduos de controle, os pacientes esquizofrênicos lembraram de menos itens de toda a série – ou seja, não se recordavam dos itens que deveriam acessar, nem daqueles que poderiam ignorar. Contudo, tanto os sujeitos do grupo de controle quanto os esquizofrênicos se lembraram muito melhor de itens aos quais “prestaram atenção” do que daqueles que tiveram permissão de ignorar. Em outras palavras: a eficiência da filtragem era aproximadamente igual nos dois grupos. Enquanto isso, um estudo de 2006, em meu próprio laboratório, constatou que a capacidade de armazenamento e a eficiência de filtragem da memória de trabalho estavam parcialmente relacionadas e eram parcialmente distintas – algo como a relação entre sprint e resistência acima sugerida. Nem todo participante com habilidade relativamente alta conseguiu filtrar itens irrelevantes com grande eficiência. O panorama dos resultados demonstra que tanto a capacidade de armazenamento quanto a eficiência de filtragem afetam a habilidade da memória de trabalho de um indivíduo. Novos métodos de análise do cérebro não substituem necessariamente os mais antigos – assim como os automóveis não eliminaram a praticidade das bicicletas e essas, por sua vez, não substituíram as caminhadas. Há espaço para dirigir carros, pedalar e andar. De forma similar, diagnósticos por imagem são compatíveis com os métodos comportamentais e de raciocínio filosófico voltados para a investigação da mente. Em 1971, no ensaio “Art in Bits and Chunks”, o psicólogo Rudolf Arnheim, especialista em estudos sobre percepção, sugeriu que a ferramenta mais importante de um psicólogo é a poltrona. A sentença ainda soa verdadeira para a pesquisa cerebral. (Tradução Vera de Paula Assis.) |
BBC Brasil - BBC BRASIL.com
Segundo os pesquisadores da Universidade de Estocolmo, os resultados do estudo - o maior já realizado sobre o tema - podem conduzir à elevação da atual idade de aposentadoria para homens e mulheres.
"Os resultados indicam que a idade de aposentadoria pode ser ajustada para além dos limites atuais, já que estamos retendo melhores funções cognitivas no processo de envelhecimento", destacou Lars-Göran Nilsson, professor de Psicologia da Universidade de Estocolmo e líder do projeto, em entrevista ao jornal sueco Svenska Dagbladet.
A pesquisa envolveu 4,2 mil pessoas entre 25 e 80 anos de idade durante um período de vinte anos, com intervalos de cinco anos entre os testes. O estudo faz parte do chamado projeto Betula, que tem como objetivo examinar o desenvolvimento da memória a fim de identificar sinais preliminares de demência.
"Descobrimos que a memória das experiências, também conhecida como memória episódica, melhora a cada geração", disse Lars-Göran Nilsson. A memória episódica se refere a lembranças de acontecimentos específicos - como, por exemplo, lembrar-se de uma viagem feita com a avó trinta anos atrás.
Entre outros testes, os participantes do estudo tiveram que identificar cerca de vinte rostos, tempos depois de vê-los em fotografias mostradas pelos pesquisadores.
Fatores determinantes
Os cientistas concluíram que os fatores determinantes para o desenvolvimento da memória são os níveis de educação, a nutrição e o tamanho da família.
Segundo o estudo, as pessoas com maior grau de instrução, melhor nutrição, bons hábitos de exercícios e menor quantidade de irmãos ou irmãs possuem memória episódica mais acentuada.
Além da quantidade de irmãos ou irmãs, a ordem de nascimento na família também é um fator determinante, dizem os cientistas: os primeiros filhos tendem a ter melhor memória episódica.
"A explicação é provavelmente o fato de que o primeiro filho recebe 100% da atenção, e quando a criança ganha irmãos a energia e o tempo dos pais passam a ser divididos entre todos", esclarece o líder do projeto.
O estudo demonstrou também que, mesmo entre as pessoas com formação biológica semelhante, aqueles que possuem nível mais baixo de instrução possuem uma memória episódica mais fraca.
A influência do grau de educação sobre a memória pode ser conseqüência do maior desenvolvimento do pensamento abstrato, ponderam os cientistas. O fluxo de informações a que as pessoas são expostas, assim como os computadores e jogos, também exercem papel importante para estimular o cérebro e fortalecer a memória.
Os cientistas observam que já os efeitos da nutrição sobre a memória episódica são mais difíceis de medir, uma vez que fatores genéticos também são determinantes nesta área.
O objetivo dos pesquisadores suecos agora é conduzir estudos comparativos em países em desenvolvimento. "É importante pesquisar se estes três fatores determinantes (grau de instrução, nutrição e menor quantidade de irmãos) também são decisivos em um país em desenvolvimento, onde o acesso a escolas e a alimentos não é tão evidente", disse Lars-Göran Nilsson.
Cientistas chineses já expressaram interesse na pesquisa.
Estudo revela que idosos que se exercitam, não fumam e levam uma vida social ativa são mais propensos a manter a função cognitiva
fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/como_manter_habilidades_cognitivas_na_terceira_idade.html
Envelhecer não implica necessariamente na perda da função cognitiva. Um novo estudo, publicado na edição de junho da Neurology®, revelou que características e hábitos de vida e cuidados com a saúde estão fortemente associados à manutenção das capacidades intelectuais de idosos.
Durante oito anos pesquisadores acompanharam 2.500 pessoas com idades entre 70 e 79 anos, e as submeteram a vários testes de habilidades cognitivas, sendo que muitos dos participantes já apresentavam declínio na função cognitiva. Durante a pesquisa, 53% dos voluntários apresentaram declínio considerado normal conforme envelheciam e 16% mostraram prejuízo cognitivo mais acentuado. No entanto, 30% dos participantes não apresentaram mudanças em seu desempenho nos testes ao longo dos anos. Os pesquisadores examinaram então quais fatores diferenciam as pessoas que mantiveram as habilidades cognitivas das que perderam algumas habilidades.
Idosos que se exercitam pelo menos uma vez na semana, possuem no mínimo ensino médio completo, um bom nível de instrução, não fumam e levam uma vida social ativa são mais propensos a manter a função cognitiva na velhice.
Para a autora do estudo Alexandra Fiocco, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, muitos dos hábitos prejudiciais podem ser mudados. Segundo ela, descobrir fatores associados à manutenção da cognição que favorecem ou retardam o início da demência faz com que as próprias pessoas se responsabilizem, ao menos em parte, pela qualidade de seu processo de envelhecimento. “Além disso, esses resultados podem ajudar a entender os mecanismos envolvidos no envelhecimento saudável”, afirma a pesquisadora.
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Transformação de nossas lembranças em registros permanentes envolve a reorganização de redes cerebrais que processam estas informações
fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/memorias_consolidadas.html |
A conversão de uma memória de curto para longo prazo requer mudanças dentro do cérebro que protegem nossas lembranças e conhecimentos tanto da interferência de estímulos como de perdas por danos ou doenças. Esse processo em que as experiências são permanentemente registradas requer tempo e chama-se consolidação.
“As porções celular e molecular da consolidação da memória ocorrem geralmente nos primeiros minutos ou horas após o aprendizado e resultam em alterações nos neurônios ou em conjuntos deles”, afirma o professor Alison R. Preston, do Centro de Aprendizagem e Memória da Universidade do Texas, em Austin.
A mudança envolve a reorganização de redes cerebrais que lidam com o processamento de memórias individuais e pode, por isso, demorar dias ou até anos. A demora ocorre por relacionar também as memórias declarativas – lembranças de fatos gerais e eventos específicos – e depende da função do hipocampo e de outras estruturas do lobo temporal médio do cérebro.Em nível celular, a memória se expressa com mudanças na estrutura e função dos neurônios. Por exemplo, novas sinapses – as conexões entre neurônios, através das quais eles trocam informações – podem se formar, permitindo a comunicação entre novas redes neuronais. Alternativamente, sinapses existentes seriam reforçadas para permitir maior sensibilidade na comunicação entre dois neurônios.
Hipocampo e neocórtex
A consolidação dessas alterações requer a síntese de novo RNA – ácido ribonucleico responsável – e de novas proteínas no hipocampo, que transformam mudanças temporárias na transmissão em modificações persistentes na arquitetura das sinapses.
Com o tempo, os sistemas cerebrais superiores também mudam. Inicialmente, o hipocampo trabalha em conjunto com regiões de processamento sensorial distribuídas pelo neocórtex (a camada mais externa do cérebro) para formar as novas lembranças. Nessa área, as representações dos elementos que constituem um evento de nossa vida estão distribuídas por várias regiões cerebrais, de acordo com seu conteúdo. Por exemplo, informações visuais são processadas pelo córtex visual primário no lobo occipital, na parte posterior do cérebro, enquanto informações auditivas são registradas pelo córtex auditivo, localizado nos lobos temporais.
Quando uma lembrança é formada pela primeira vez, o hipocampo rapidamente combina essas informações distribuídas em uma única memória, agindo como um índice de representações nas regiões de processamento sensorial. À medida que o tempo passa, mudanças celulares e moleculares permitem o fortalecimento de conexões diretas entre as regiões neocorticais, possibilitando o acesso às memórias independentemente do hipocampo. Logo, ainda que danos nessa área ocasionados por lesões ou transtornos neurodegenerativos (como o mal de Alzheimer, por exemplo) prejudiquem a habilidade de formar novas memórias declarativas, o problema não afeta as lembranças de fatos ou eventos já consolidados.
Silvia Helena Cardoso, PhD. Psicobióloga, mestre e doutora em Ciências. Fundadora e editora-chefe
da revista Cérebro & Mente. Universidade Estadual de Campinas.
Você sabia que sempre que aprende algo ou vivencia uma nova experiência suas células cerebrais se modificam e que essa modificação se refletirá em seu comportamento?
Por exemplo, se ao caminhar, à noite, por uma determinada rua, perceber pessoas que parecem bandidos, você evitará passar por essa rua novamente. Ou ainda, se uma criança receber um choque elétrico ao enfiar o dedo em uma tomada, ela nunca repetirá esse comportamento. Nesses exemplos o comportamento foi modificado como resultado de uma experiência.
Os neurônios no córtex cerebral, as camadas externas dos hemisférios cerebrais, é responsável pelo processamento cognitivo. Ele exibe uma quantidade impressionante de plasticidade, e cada parte da célula nervosa do soma à sinapse altera suas dimensões em resposta ao ambiente.
O cérebro do homem, cortado em uma fatia, apresenta uma camada externa de cor cinzenta (formada em sua maior parte por corpos celulares), chamada córtex cerebral. O córtex cobre inteiramente os dois hemisférios. Um corte em profundidade no cérebro mostra que a superfície cinzenta tem uma espessura que varia de 1 a 4 mm. A maior parte é composta por células nervosas (neurônios) que recebem impulsos dos pontos mais distantes do corpo e os retransmitem ao destino certo. Mas o cérebro desempenha funções altamente diversificadas e, por isso mesmo, as células que os constituem, também são especializadas. Tipos diferentes de neurônios são distribuídos através de diferentes camadas no córtex dispostos de tal forma a caratcerizar as várias áreas dos hemisférios, cada qual com sua função. As camadas específicas são constituídas por agrupamentos de neurônios de vários tipos, entre eles, as células piramidais, com sua forma característica. |
Cada neurônio contribui para o comportamento e para todos as atividades mentais, produzindo ou não impulsos elétricos. O que é que cresce? Os dendritos das células nervosas são responsáveis pela maior parte do crescimento neocortical e a rede neural que eles formam constitui a base física ou o "hardware" da inteligência (1). Os dendritos são extensões da membrana das células nervosas que recebem "sinais de entrada" de outras células nervosas. Suas ramificações são muito reativas a tais sinais, aumentando em função do uso e diminuindo no desuso. A expressão "use-o ou perca-o" encaixa-se como uma luva a esse processo. Na área do cérebro, chamada de Wernicke, que trata da compreensão de palavras, as células nervosas possuem mais dendritos nas pessoas de nível de educação superior comparadas às pessoas que têm apenas estudos secundários. Aumentos no crescimento cortical como conseqüência de sinais de entradas provenientes de um ambiente estimulador foram demonstrados em todas as idades, inclusive na terceira idade avançada. Porém as maiores mudanças -- um aumento de até 16 porcento -- foram observadas quando o córtex cerebral está crescendo rapidamente, durante os dez primeiros anos de vida. Ao expor as crianças às experiências desafiadoras através de ambientes e educação enriquecedores , esses dendritos estarão inevitavelmente aptos a agir no futuro! (1).
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Visto que não existem dois cérebros humanos idênticos, nenhum ambiente enriquecedor satisfará todos os aprendizes por um período de tempo longo. A gama de ambientes enriquecedores para os seres humanos é interminável. Para alguns, a interação física com os objetos é gratificante; para outros, a busca e o processamento de informação é recompensador; para outros, trabalhar com idéias criativas é o mais agradável. Não importa qual a forma da atividade enriquecedora, o que conta é o desafio às células nervosas. Os dados indicam que a observação passiva não é suficiente; é preciso interagir com o ambiente (1). Uma maneira de garantir um enriquecimento contínuo é estimulando e mantendo a curiosidade por toda a vida.
As alterações celulares resultantes do aprendizado e memória são chamadas de plasticidade. Isso está relacionado à alterações na eficiência das sinapses que podem aumentar a transmissão dos impulsos nervosos, modulando assim o comportamento.
Uma experiência pode ser vivenciada através da aprendizagem ativa, ou vivendo-se em um ambiente enriquecedor que inclua outros indivíduos, cores, música, sons, livros, cheiros, etc.
Também foi possível demonstrar em experiências científicas que o cérebro do rato apresenta um maior número de células cerebrais interconectadas umas as outras quando os ratos vivem em uma gaiola cheia de brinquedos tais como gangorra, bolas, rodas etc. do que aqueles que vivem sozinhos ou sem nada para fazer ou aprender.
Donald Hebb, de Montreal, Canadá e Jersey Konorski, da Polônia, dentre os maiores especialistas do fenômeno de aprendizagem e memória nos anos 1940, foram os primeiros a acreditar que a memória deveria involver mudanças ou incrementos nos circuitos nervosos.
Os circuitos nervosos são conjuntos de células cerebrais (ou neurônios) que se comunicam entre si através de junções chamadas de sinapse.
Quando uma célula é ativada, substâncias químicas, chamadas de neurotransmissores, são liberadas entre as sinapses, tornando-as ainda mais eficazes. Pesquisas têm demonstrado que os neurônios mais "exercitados"apresentam um número muito maior de ramificações dendríticas com os dendritos de outros neurônios. Assim, para que a memória aconteça, é necessário que as células nervosas formem novas interconexões e produzam novas moléculas de proteínas.
Referência
1. Marian Cleeves Diamond - The Brain. Use It or Lose It - Mindshift Connection (vol. 1, no.1), Dee Dickinson (ed.). Zephyr Press publication.
Dra. Regeane Trabulsi Cronfli, médica formada pela Faculdade de Medicina da USP, especialista em Endocrinologia e Metabologia.
É um total contra-senso o fato de que, num mundo em que cerca de 16 a 40% das pessoas em geral sofrem de insônia, haja aquelas que, iludidas pelos valores da sociedade industrial, esforçam-se por reduzir o número de horas de sono diário,. Com isso acreditam, provavelmente, que um corpo "treinado" para dormir menos nos permita ampliar o número de "horas úteis" do dia, mantendo o mesmo desempenho.
Pura ilusão ou, mais provavelmente, uma boa dose de ignorância sobre a importância que o sono tem no funcionamento de nosso corpo e da nossa mente.
Dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico: durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo a curto, médio e, mesmo, a longo prazo. Estudos provam que quem dorme menos do que o necessário tem menor vigor físico, envelhece mais precocemente, está mais propenso a infecções, à obesidade, à hipertensão e ao diabetes .
Alguns fatos comprovados por pesquisas podem nos dar uma idéia da importância que tem o sono no nosso desempenho físico e mental. Por exemplo, num estudo realizado pela Universidade de Stanford, EUA, indivíduos que não dormiam há 19 horas foram submetidos a testes de atenção. Constatou-se que eles cometeram mais erros do que pessoas com 0,8 g de álcool no sangue - quantidade equivalente a três doses de uísque. Igualmente, tomografias computadorizadas do cérebro de jovens privados de sono mostram redução do metabolismo nas regiões frontais (responsáveis pela capacidade de planejar e de executar tarefas) e no cerebelo (responsável pela coordenação motora). Esse processo leva a dificuldades na capacidade de acumular conhecimento e alterações do humor, comprometendo a criatividade, a atenção, a memória e o equilíbrio.
O sono e os hormônios
A longo prazo, a privação do sono pode comprometer seriamente a saúde, uma vez que é durante o sono que são produzidos alguns hormônios que desempenham papéis vitais no funcionamento de nosso organismo. Por exemplo, o pico de produção do hormônio do crescimento (também conhecido como GH, de sua sigla em inglês, Growth Hormone) ocorre durante a primeira fase do sono profundo, aproximadamente meia hora após uma pessoa dormir.
As Fases do Sono
Fase 1 - Melatonina é liberada, induzindo o sono(sonolência)
Fase 2 - Diminuem os ritmos cardíaco e respiratório, (sono leve) relaxam-se os músculos e cai a temperatura corporal
Fase 3 e 4 - Pico de liberação do GH e da leptina; cortisol começa (sono profundo) a ser liberado até atingir seu pico, no início da manhã
Sono REM - Sigla em inglês para movimento rápido dos olhos, é o pico da atividade cerebral, quando ocorrem os sonhos. O relaxamento muscular atinge o máximo, voltam a aumentar as freqüências cardíaca e respiratória
Qual é o papel do GH? Entre outras funções, ele ajuda a manter o tônus muscular, evita o acúmulo de gordura, melhora o desempenho físico e combate a osteoporose. Estudos provam que pessoas que dormem pouco reduzem o tempo de sono profundo e, em conseqüência, a fabricação do hormônio do crescimento.
A leptina, hormônio capaz de controlar a sensação de saciedade, também é secretada durante o sono. Pessoas que permanecem acordadas por períodos superiores ao recomendado produzem menores quantidades de leptina. Resultado: o corpo sente necessidade de ingerir maiores quantidades de carboidratos.
Com a redução das horas de sono, a probabilidade de desenvolver diabetes também aumenta. A falta de sono inibe a produção de insulina (hormônio que retira o açúcar do sangue) pelo pâncreas, além de elevar a quantidade de cortisol, o hormônio do estresse, que tem efeitos contrários aos da insulina, fazendo com que se eleve a taxa de glicose (açúcar) no sangue, o que pode levar a um estado pré-diabético ou, mesmo, ao diabetes propriamente dito. Num estudo, homens que dormiram apenas quatro horas por noite, durante uma semana, passaram a apresentar intolerância à glicose (estado pré-diabético).
Mas qual é a quantidade ideal de horas de sono? Embora essa necessidade seja uma característica individual, a média da população adulta necessita de 7 a 8 horas de sono diárias. Falando em crianças, é especialmente importante que seja respeitado um período de 9 a 11 horas de sono, uma vez que, quando elas não dormem o suficiente, ficam irritadiças, além de terem comprometimento de seu crescimento (devido ao problema já mencionado sobre a diminuição do hormônio do crescimento), do aprendizado e da concentração.
É na escola que os primeiros sintomas da falta de sono são percebidos. O desempenho cai e a criança pode até ser equivocadamente diagnosticada como hiperativa, em função da irritabilidade e de sua dificuldade de concentração, conseqüentes da falta do sono necessário. É no sono REM, quando acontecem os sonhos, que as coisas que foram aprendidas durante o dia são processadas e armazenadas. Se alguém, adulto ou criança, dorme menos que o necessário, sua memória de curto prazo não é adequadamente processada e a pessoa não consegue transformar em conhecimento aquilo que foi aprendido. Em outras palavras: se alguém - adulto ou criança - não dorme o tempo necessário, tem muita dificuldade para aprender coisas novas.
Riscos provocados pela falta de sono a curto prazo: cansaço e sonolência durante o dia, irritabilidade, alterações repentinas de humor, perda da memória de fatos recentes, comprometimento da criatividade, redução da capacidade de planejar e executar, lentidão do raciocínio, desatenção e dificuldade de concentração.
Riscos provocados pela falta de sono a longo prazo: falta de vigor físico, envelhecimento precoce, diminuição do tônus muscular, comprometimento do sistema imunológico, tendência a desenvolver obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e gastro-intestinais e perda crônica da memória.
Conselhos para Dormir Melhor
Procure seguir uma rotina à hora de dormir, isso ajuda a induzir o sono

















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